Uma dúvida comum de quem acabou de instalar energia solar: "se eu gero minha própria energia, por que ainda recebo conta da CEMIG?". A resposta está em como funciona a compensação de energia no Brasil. Você não fica desligado da rede — você usa a rede como uma grande bateria. E isso tem regras.
Você não guarda a energia: você troca com a rede
O sistema solar gera mais durante o dia, quando o sol está forte — muitas vezes mais do que a casa ou a empresa consome naquele momento. Esse excedente não fica guardado em bateria (na maioria dos sistemas). Ele é injetado na rede da CEMIG e vira crédito de energia.
À noite, ou num dia nublado, quando o sistema gera pouco e você consome da rede, esses créditos são abatidos do que você usou. É o Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE).
Na prática: a rede da distribuidora funciona como uma "poupança" de energia. Você deposita o excedente do dia e saca à noite. A conta cobra só a diferença.
Como os créditos funcionam (e por quanto tempo valem)
- 1 kWh injetado = 1 kWh de crédito para abater consumo (com a ressalva do Fio B para sistemas novos, que paga uma parcela pelo uso da rede).
- Os créditos valem por até 60 meses. Se você gerar mais do que consome num mês, o excedente fica guardado e pode ser usado nos meses seguintes — útil para quem consome menos no inverno e mais no verão, ou vice-versa.
- Dá para abater outras unidades. Os créditos podem compensar o consumo de outros imóveis da mesma titularidade — casa e ponto comercial, sede e pivô — desde que na mesma área de concessão.
- A ordem de abatimento segue a regra da distribuidora, priorizando a própria unidade geradora antes das demais.
Por que a conta nunca zera 100%
Mesmo com um sistema que gera tudo o que você consome, a conta da CEMIG não chega a zero. Existem dois motivos legítimos para isso:
- 1Custo de disponibilidade (a taxa mínima). Por estar conectado à rede, todo cliente paga um valor mínimo: 30 kWh para ligação monofásica, 50 kWh para bifásica e 100 kWh para trifásica. É o custo de ter a rede à disposição 24 horas. Nenhum sistema solar elimina isso.
- 2A parcela do Fio B. Para sistemas conectados a partir de 2023, a Lei 14.300 instituiu o pagamento gradual pelo uso da rede sobre a energia compensada. Não é cobrança em dobro — é uma fração da tarifa.
- 3Iluminação pública e bandeiras. A contribuição de iluminação pública (CIP) e eventuais bandeiras tarifárias seguem na conta, porque não têm relação com a energia que você gera.
Ou seja: a conta cai bastante — normalmente fica perto do mínimo — mas não some. Quem promete "conta zero" está, na melhor das hipóteses, arredondando demais.
"Minha conta subiu mesmo com solar" — o que checar
- Aumento de consumo. Ar-condicionado novo, chuveiro elétrico no inverno, mais gente em casa: o sistema foi dimensionado para o consumo de antes.
- Bandeira tarifária vermelha. Em períodos secos, a CEMIG aplica bandeira, e a parte não compensada da conta sobe.
- Geração abaixo do esperado. Sujeira nos painéis, sombreamento que apareceu (uma árvore que cresceu), ou um problema no inversor. É exatamente para pegar isso cedo que oferecemos o monitoramento contínuo (Fysol Pulse).
- Leitura ou faturamento com erro. Acontece. Vale comparar a geração medida no monitoramento com o que a fatura registrou.
Acompanhar a geração mês a mês é o que separa um sistema que "foi instalado" de um sistema que entrega. Depois da obra, monitoramos a sua usina e avisamos se algo sair da curva.
Tem dúvida sobre a sua conta ou quer um sistema dimensionado do jeito certo na CEMIG? A visita técnica e o orçamento são gratuitos.
