Se você pesquisou energia solar em 2026, provavelmente esbarrou em manchetes sobre "taxação do sol" e ficou com o pé atrás: *ainda vale a pena depois da Lei 14.300?* A resposta curta é sim — mas vale entender o que realmente mudou, porque o boato foi bem mais assustador que o fato.
O que é a Lei 14.300 (de verdade)
Sancionada em janeiro de 2022, a Lei 14.300 é o Marco Legal da Geração Distribuída — o conjunto de regras da micro e minigeração de energia (o caso de quem instala solar em casa, no comércio ou na fazenda). Antes dela, o setor vivia de uma resolução da ANEEL que podia mudar a qualquer momento. A lei trouxe segurança jurídica: agora as regras estão em lei, com prazos claros e proteção para quem já tinha sistema.
O Fio B: o que passou a ser cobrado (e por quê)
Sua conta de luz tem várias partes. Uma delas é a TUSD — a tarifa de uso do sistema de distribuição, ou seja, o custo dos fios, postes e transformadores que levam energia até você. O Fio B é um pedaço dessa TUSD. Quando seu sistema gera de dia e joga o excedente na rede, e à noite você puxa essa energia de volta, você está usando a rede da distribuidora como se fosse uma "bateria". Antes, esse uso era 100% de graça. A Lei 14.300 passou a cobrar uma parte dele.
Você só paga Fio B sobre a energia que injeta na rede e compensa depois — nunca sobre a energia que gera e usa na mesma hora. E é uma fração de uma parte da tarifa, não a conta inteira.
O escalonamento: quanto se paga por ano
A cobrança não veio de uma vez. Ela sobe de forma gradual, 15 pontos por ano, sobre o valor do Fio B:
Percentual do Fio B cobrado por ano (regra da Lei 14.300)
| Ano | % do Fio B cobrado |
|---|---|
| 2023 | 15% |
| 2024 | 30% |
| 2025 | 45% |
| 2026 | 60% |
| 2027 | 75% |
| 2028 | 90% |
| 2029 em diante | A ANEEL define um novo cálculo |
Repare: mesmo em 2026, os 60% incidem só sobre o Fio B (um pedaço da TUSD) e só sobre a energia injetada e compensada — não sobre a conta toda. Na prática, para a maioria das residências, o impacto na economia é pequeno perto do que o boato sugeria.
Instalou antes de 2023? Você está protegido
Quem fez a solicitação de acesso à distribuidora antes de 7 de janeiro de 2023 manteve o modelo antigo — compensação integral, sem cobrança do Fio B — até 31 de dezembro de 2045. É um direito adquirido garantido em lei. Se o seu sistema é anterior a essa data, nada mudou para você.
Então ainda vale a pena? Sim — e aqui está o porquê
- A tarifa de energia sobe todos os anos. Enquanto o Fio B avança alguns pontos, o preço do kWh que você deixaria de pagar também sobe — a economia acompanha.
- A energia usada na hora não paga nada a mais. Quanto mais você consome durante o dia (junto com a geração), menos energia vira "injeção" sujeita ao Fio B.
- O Fio B é uma fração de uma fração. Ele é só um pedaço da TUSD, que por sua vez é só uma parte da conta. O impacto real é bem menor do que "taxaram o sol" faz parecer.
- A alternativa é pagar 100% da conta — que só sobe. Sem solar, você continua exposto a cada reajuste e a cada bandeira tarifária, indefinidamente.
- O payback continua atrativo. Na maioria dos projetos residenciais da nossa região, o retorno segue na faixa de poucos anos, mesmo já contando o Fio B.
Na Fysol, todo dimensionamento já é feito considerando a Lei 14.300: priorizamos o autoconsumo, projetamos o sistema para o seu perfil real de uso e cuidamos da homologação na concessionária (CEMIG, Neoenergia ou Equatorial) do jeito certo. Assim você aproveita o máximo da geração dentro das regras atuais.
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